sábado, 7 de janeiro de 2012

Dois corações

Quisera ter dois corações, quisera,
Que dividisse esse meu sofrimento,
Ter uma parte de verão cinzento,
E a outra parte plena primavera;

Que um gritasse, num rugir de fera,
De uma paixão o eternal tormento,
Enquanto outro, num tom sonolento,
Calmo aceitasse angustiante espera;

Que um agitado decantasse em versos
Tais pensamentos tacanhos, perversos,
Que o manto ostentam de certa traição...

Enquanto o outro conformado, altivo,
Consciente fosse, qual ser que está vivo,
Que tudo passa... que é tudo ilusão...

                                         Jose Riomar de Melo

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