quarta-feira, 13 de agosto de 2025

 Silueta

 

Hoy, desnuda frente al espejo,

decías de tu cuerpo de ayer:

“en aquel entonces, nada de barriga,

un culo hacia atrás

y las tetas grandes y empinadas”.

 

Al espejo decías y al verte, me acordé

– aunque nunca lo haya realmente olvidado –

el día que tocaste el ‘cuatro’ para mi

– y cantaste un ‘polo margariteño’.

 

En aquel día, después de la música,

he visto tu cuerpo contra la luz de la puerta...

Tu cuerpo esbelto y juvenil,

transparente a la luz,

en un trajecito blanco,

con puntos de color pequeñitos,

que no sé si eran flores...

Y así he mirado, maravillado,

la silueta de tus tetas firmes.

 

Hoy – después de tantas lunas –

al verte al espejo,

me he transportado otra vez

a la escena con música de ‘cuatro’

y a la visión de tus bellos senos

– inolvidable recuerdo de tu cuerpo.

sábado, 7 de dezembro de 2019

erotismo voyeur V





                                     hai-ku

nas roupas que te cobrem

uma fresta entreaberta

pele branca cor-de-rosa


                            Elieser Rufino – 2014

erotismo voyeur IV





um dia de cílios postiços e decotes
seios morenos, claros
pálidos na luz fluorescente...

colares com cruzes, pedras...
brincos que se arrastam
nos ombros nus inquietos...
durante as falas,
perfumes sutis
emanam, espalham
aromas de cio...


Elieser Rufino – 2014

erotismo voyeur III



faixa visível de pele
cintura e quadris
entre blusa e cinto
entre assento e espaldar
brilhante tela em branco
pronta para um desenho de carícias
arranhadas com minhas unhas
de tocar violão.

acima do encosto da cadeira
rendas negras nos ombros
– ali onde são mais tíbios.

as curvas das coxas
esparramadas na cadeira –
sobram brilhando nos rebites da roupa
amplas, largas, fartas de volúpia,
pelos lados da sala.

                                                 Elieser Rufino - 2014

erotismo voyeur II





imagino uma tatuagem na tua cintura
símbolos de fertilidade
- símbolos antigos e mágicos -
eriçadas aspas tribais
na tua pele arrepiada.

olhando teus quadris
lembro dos ritos de Inanna
da alta sacerdotisa...
da cópula sagrada...
dos augúrios do prazer...


Elieser Rufino – 2014


domingo, 25 de fevereiro de 2018

erotismo voyeur I
                                           (durante as aulas do mestrado)

o magister e longas reticências...
amor-pensamento falho claudicante
– arrasta-se a manhã nos ritos da clerezia...

a cadeira levanta tua camiseta...
e na curva branca dos teus quadris
– pele lisa, cintura fina
meu erotismo voyeur vê Astarté, a deusa-mãe...
mulher, madura, pronta...

delicio-me com as curvas do teu corpo
enquanto a manhã rasteja
nas longas reticências clericais
e no toque dos meus olhos na tua pele.

Elieser Rufino – 2014


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Eis a velha cidade! a cortesã devassa


Eis a velha cidade! a cortesã devassa,
A velha imperatriz da inercia e da cubiça,
Que da torpeza acorda e á pressa corre á missa!
Baixando o olhar incerto em frente de quem passa!

Ella estreita no seio a velha populaça,
Nas vis dissoluções da lama e da preguiça,
E nunca o santo impulso, o grito da Justiça,
Lhe fez estremecer a fibra inerte e lassa!

E póde receber o beijo e a bofetada
Sem que sinta o rubor da colera sagrada
Acender-lhe na face as duas rosas bellas!

Sómente d'um sorriso alvar e deshonesto,
Ás vezes, acompanha o provocante gesto
Quando sôa a guitarra, á noite, nas viellas!


                                                            por Guilherme de Azevedo